Analise:Metal Gear Solid V Ground Zeroes

AVISO: ESTE REVIEW CONTÉM SPOILERS.

Yo pessoas.

Kurogami de novo, fazendo review de Metal Gear Ground Zeroes. “Cara como você tá atrasado! Esse jogo já saiu há mais de um mês e meio!” Pois é, mas vocês querem rápido ou querem bem-feito? Vamos ao que interessa.

Pra quem não conhece (e eu choro muito por essas pobres almas que nunca conheceram uma série EXCELENTE), Metal Gear é um jogo do tipo “Stealth ’em up”. Na verdade, é O jogo Stealth ’em up – ele é mais antigo que basicamente qualquer outro jogo do gênero.

Ground Zeroes serve como uma espécie de prólogo para o quinto jogo, Phantom Pain – que vai ser lançado só em 2015. Como titio Kojima manja das putarias, ele lançou o comecinho do jogo em separado, só pra termos um gostinho e ficarmos salivando ainda mais – afinal, não se lança um jogo novo de Metal Gear Solid desde… 2012, acho, que foi quando lançaram o Peace Walker. A premissa do jogo é simples: Big Boss recebeu uma mensagem do Chico dizendo que a Paz ainda está viva e presa junto com ele em um campo de concentração. Cabe ao bom e velho Snake salvar o rabo dessa pirralhada criada a Nesquik e leite com pêra, já que o jogo se passa antes de existir Ovomaltine.

Vamos por partes.

 Gráficos:9,5 de 10, porque 10 não existe pra mim.

Cara, nem sei por que tou fazendo essa parte do review. MGS nunca foi uma série que pegou leve nesse quesito. O jogo é lindo, a ambientação é linda, os efeitos de luz fariam um cego chorar de emoção. O tempo todo você passa tão imerso no jogo que, se haviam defeitos, eu não enxerguei. Quase não existe HUD pra te atrapalhar. Com o novo sistema de marcação de inimigos, não é nem necessário radar. E o controle de câmera é elegantemente perfeito. Ou seja, graphic whores de plantão vão ter orgasmos múltiplos.

 Som: 8,0 de 10. E só tiro esses pontinhos extras por causa do “Snack Bauer”.

Vamos começar pelo que realmente interessa pra quem viu os trailers…

EU ODEIO A VOZ DO KIEFER SUTHERLAND COMO SNAKE. Pronto, falei. Não tem emoção, não tem variação, não tem carisma. Big Boss soa exatamente como Jack Bauer em Ground Zeroes. O tempo todo eu ouvia ecoando no fundo da minha mente a voz do David Hayter, que quer vocês gostem ou não, virou algo emblemático do personagem. E por mais exagerada que fosse, combinava muito bem com um personagem amargo, fumante inveterado e mais macho que o McGyver depois de puxar ferro com o He-man. A trilha sonora, pra variar, ajuda a estabelecer aquele “climão” de Metal Gear, apesar de ela ser um pouco mais “dosada” desde MGS4, e você ainda pode importar suas músicas pra criar uma trilha sonora customizada para certas ocasiões do jogo.

Gameplay: 8,5 de 10.

Se tinha gente que reclamava que MGS4 tinha ficado muito fácil pela possibilidade de se mover de forma mais agressiva (leia-se: atira e esquece), esse mesmo pessoal vai chiar quanto a quão mais difícil ficou bancar o ninja em Ground Zeroes. Começa pelo seguinte: não existe mais radar. O que você pode fazer é marcar seus inimigos usando binóculos (que ganharam um botão só pra eles). Com isso, você pode ver a distância dos seus inimigos em relação a você, se eles estão acordados ou desmaiados, etc.. Mas para isso, você precisa planejar os seus movimentos com cuidado. Para marcar os seus inimigos você precisa gastar um certo tempo, que é coisa de segundos, mas faz uma enorme diferença quando você não faz idéia de onde eles possam estar. Se estiver próximo o bastante pode até enxergar através de paredes. Snake não possui mais um buraco dimensional de onde tira as coisas: todas as armas que você encontrar (e que, diga-se de passagem, não são muitas; você não pode mais carregar um rifle de assalto, uma sniper e um lança-foguetes) são visíveis no corpo do Snake. E dependendo de quantas armas você estiver carregando você vai atrair mais atenção quando caminhar, seja pelo som ou por ter uma silhueta maior (isso é mais notável nas dificuldades mais altas, zanzar por aí com um rocket launcher nas costas faz você ser visto com muita facilidade). Os padrões de patrulha dos inimigos também é parcialmente randomizado; se você fizer a mesma missão duas vezes vai notar que alguns inimigos sempre começam no mesmo lugar enquanto outros podem estar em lugares diferentes. Você ainda pode render os seus oponentes, tirar informações deles, e até mandá-los se deitar (fica a dica: oponentes rendidos dessa forma ficam assim até que outro guarda verifique eles ou que o alarme toque). As armas agora tem um alcance máximo de eficiência. Se você estiver longe demais, vocês não vai acertar a cabeça de um guarda com uma pistola, por exemplo, o que faz uma diferença enorme com a pistola tranquilizante, que tem pouca munição disponível mas é a única que nunca perde o silenciador. Infelizmente, você não enfrenta boss fights em Ground Zeroes, então fica difícil dizer o quanto essas mudanças são benéficas para enfrentar Metal Gears.

Uma coisa nova no jogo é o Reflex Mode. Quando um inimigo está prestes a te descobrir, o jogo entra em slow-motion e você tem alguns segundos antes do soldado soar o alarme. Aí você pode se virar na direção dele e tentar solucionar – se estiver perto o bastante, pode usar até CQC. Isso é pra compensar o quão difícil se tornou ficar 100% fora do alcance visual dos guardas, mas se você quiser um desafio maior você pode desligar o Reflex Mode (tem até um bônus por terminar uma missão sem usá-lo).

Agora a parte chata: o jogo é BEM curto. São cinco missões fora a principal, todas no mesmo mapa. Bem-jogado, Ground Zeroes vai lhe render umas 30 horas, contra 80 ou mais de MGS4, ou 100 de Peace Walker.

História:7,5 de 10. Isso porque eu queria ver MAIS da história.

Não dá pra analisar muito bem esta categoria porque apenas uma das missões realmente possui história. Uma das missões na versão de PS3 é basicamente uma sessão nostalgia de Metal Gear Solid 1, e é a única que tem alguma coisa “a mais” pra contar. A julgar pelo que vemos na missão principal, Kojima continua com a estrutura básica de intercalar gameplay e CG de forma distinta, mas sem QTEs durante as CGs como nos jogos anteriores (alguém lembra de metralhar botão durante a sequência de tortura de Peace Walker? Eu lembro). O que eu vi me deixou de queixo caído, mas mesmo assim levantou muito mais perguntas do que respondeu. Durante o jogo você pode descobrir mais coisas sobre o background através de fitas cassete, gravações feitas pelo Chico, pela Paz e/ou outros personagens… Muitas das quais revelam coisas REALMENTE perturbadoras. (Basta dizer que pelo menos uma das fitas fará qualquer homem QUASE se sentir como se tivesse cólica menstrual por empatia. QUASE.) Aqui, estranhamente, me obrigo a dar a nota mais baixa da review:

Nota final:  8,4

Existe um motivo pelo qual este jogo está sendo comercializado a um preço mais baixo que o normal lá fora, e é o fato de ele ser CURTO. O fator replay é alto, não dá pra negar, mas como fã da série eu tou me mordendo por dentro MAIS AINDA pra que Phantom Pain saia logo desde que joguei Ground Zeroes, porque eu sinto que quando sair, minhas endorfinas vão sair de férias e mergulhar meus miolos em clímax.

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