Analise: Armored Core: Verdict Day

 

ATCHIM!

*sniff* Oi gente, Kurogami de novo com review e uma febre miserável. O jogo da vez é Armored Core: Verdict Day. Vamo que vamo, porque pelo menos enquanto escrevo eu esqueço que estou cozinhando de dentro pra fora.

 Gráficos- 8,0

Armored Core sempre foi uma série graficamente bela, embora o plot da série de uns tempos pra cá basicamente tornou todos os cenários resquícios de campos de batalha pós-apocalípticos, mesmo os ambientes urbanos do jogo terem aspecto meio “sujo”,  “quebrado” dando à entender que, de quando em quando, estão voando balas capazes de derrubar prédios. Os ACs (robôs gigantes) do jogo também recebem uma atenção ímpar – cada peça é revestida de detalhes que quase fazem parecer que, em vez de serem desenhados num computador, as peças foram modeladas a mão e escaneadas em 3D (o que eu não duvidaria, considerando que o jogo é da From Software e eles são campeões de idéias malucas). A diferença de detalhe entre as CGs e os gráficos do jogo são muito pequenas – em algumas CGs, quase imperceptíveis. “Mas então por que a nota é só 8?” É porque esses são detalhes que você aprecia ANTES de entrar em combate. Quando as balas estão voando, você não tem muito tempo pra enxergar mais do que “preciso vir mais para cá senão levo laser.” É muita informação pro cérebro processar. Eu não recomendaria este jogo para um epiléptico.

 Jogabilidade- 9,0

 Quem conhece a From Software sabe que ela é responsável também por Dark Souls. E isso quer dizer que a jogabilidade é o ponto mais escrutinado do jogo. Aliás, deixe-me reiterar: a jogabilidade é a razão pela qual qualquer pessoa compraria este jogo. O que interessa aqui não é um protagonista bem-desenvolvido., não é uma trilha sonora maravilhosa, não é um conjunto de CGs cinematográficas. A graça toda deste jogo está em MONTAR SEU ROBÔ GIGANTE E SAIR FUZILANDO TODO MUNDO (diga-se de passagem, você vai passar quase tanto tempo fazendo um como o outro). O nível de informação necessário para criar um robô bom e eficiente neste jogo é bastante alto. Cada robô é categorizado pelo próprio jogo de acordo com suas especialidades – sniping, combate móvel, defensivo, etc.. Mas não existe uma forma “simples” ou uma “receita” para montar cada AC, e um mesmo AC não vai ser capaz de encarar todos os cenários plausíveis no jogo. Você se verá constantemente trocando peças, “tunando” aspectos importantes do seu AC, escolhendo armas diferentes, salvando e alterando templates para cada situação. Dificilmente você passará mais do que duas fases sem topar com uma situação para a qual você não estava preparado. (Uma dica: para quem está iniciando e não quer esquentar muuuuuuuito a cabeça, recomendo montar um AC com pernas de tanque, porque eles têm a tremenda vantagem de poder utilizar armas de posição fixa e se movimentar ao mesmo tempo). O jogo, infelizmente, não conta com um tutorial sobre as melhores formas de montar um AC. Ele explica cada uma das mais de 50 características diferentes de um AC, mas não entra em grandes detalhes sobre cada uma, sendo no fim das contas uma boa ideia entrar no fóruns do jogo pra aprender mais. Ah sim: o jogo só tem um nível de dificuldade, que eu chamo de nível From Software (quem jogou Dark Souls sabe como essa dificuldade funciona.) Quem disser que passou a primeira fase com o robô padrão sem alterar nada, sem um amigo e/ou sem nunca ter jogado Armored Core na vida é um supremo mentiroso. A partir de um certo ponto da história você pode montar um robô controlado por IA (que você pode programar quase nos mínimos detalhes!) pra te ajudar, e que pode inclusive ser melhor do que você é jogando.

História – 5,0

A história de AC é basicamente a mesma há algum tempo: a humanidade se destrói, se levanta, recupera ou recria a tecnologia dos Armored Cores e se detona de novo. É bem verdade que existe um certo esforço em “encorpar” a realidade em que o jogo se passa, mas a maior parte dessa informação é opcional ou não é muito surpreendente. Para quem é fã de cenários de conspiração e guerra corporativista ainda tem algo a se aproveitar, mas a história não é o foco deste jogo. Tudo que você precisa saber é: o mundo quase se destruiu. A humanidade se recuperou graças aos esforços da “Foundation”, que resgatou grande parte da tecnologia a partir dos escombros. Grandes corporações passaram a disputar guerras por recursos do que sobrou, mas as coisas começam a escalonar, com o surgimento de ACs controlados por inteligências artificiais e máquinas de guerra que ninguém viu antes, a “Foundation” tem um dedo metido nessa história. Resumo da ópera: a “Foundation” está manipulando pessoas de todos os lados da guerra para atingir seus próprios objetivos – que não vou dizer quais são.

 

Som – 5,0

Eu vou resumir a seção do som em Armored Core da seguinte forma: se você disser que teve tempo pra apreciar a música enquanto tava vindo míssil de tudo quanto era lado e um lança-chamas te transformava em churrasquinho em meio a uma explosão de plasma radioativo, com o seu computador de bordo dizendo o brutalmente óbvio (“Tu tá danificado, fio! MANOBRAS EVASIVAS! DO A BARREL ROLL!”), você é um mentiroso e um canalha.

Nota final: 6,75

Quero deixar bem claro que Armored Core: Verdict Day não é um jogo ruim – muito pelo contrário. Mas o seu foco em gameplay e o seu estilo sem frescuras não é para qualquer um. Se o que você joga é primariamente Battlefield, PES e GTA, você não é o tipo de pessoa que curtiria este jogo (e também não é um gamer, vai tomar vergonha na cara). Agora, se você gosta de um jogo que te recompense pelo seu desempenho, te desafie e não facilite as coisas te dizendo o que fazer, este jogo vai te render umas sessenta à oitenta horas de diversão, ou mais, se você tiver paciência.

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