O Novo Ghostbusters está Afundando. Saiba o porquê

Pra quem acompanha o Twitter (o que certamente não é o meu caso) talvez vocês já tenham cruzado com uma série de fotos mostrando cinemas vazios na abertura do “reboot” de Ghostbusters deste ano. Pra mim não é nenhuma surpresa, já que todo o trabalho de pré-lançamento do filme parecia ser direcionado a garantir que este afundasse.

Não entendeu? Explicaremos.

Vamos começar pelas bandeiras vermelhas já nos primeiros detalhes do filme. A responsável é a Sony Pictures Entertainment, o braço ocidental da Sony Pictures (importante fazer essa distinção). A SPE é tristemente famosa por fazer escolhas catastróficas com seus filmes. Spider-man 3 (o filme do Emo-Aranha) vem à mente…

É fato sabido pelos fãs de Ghostbusters que um dos motivos pelos quais o filme não teve uma terceira instância foi por conta da recusa de Bill Murray. Durante anos ele foi evasivo sobre o assunto, até que resolveu explicar que as premissas para um terceiro filme nunca pareciam boas o bastante em comparação com o primeiro. O primeiro filme foi escrito por Dan Aykroid e Harold Ramis, que por descrição do próprio Bill Murray, estavam “queimando nitroglicerina desde o começo”. Ou seja, estavam entusiasmados com o projeto. A sequência só saiu por pressão dos produtores, e é considerada por muitos fãs como sendo muito pior que a anterior. A partir daí tentativas de fazer uma sequência vieram por conta de Aykroid mas Harold Ramis já não estava mais escrevendo o roteiro. Com a morte de Ramis em 2014 qualquer esperança de ver Ghostbusters 3 foi pelo ralo.

O que nos leva a uma segunda decisão errada da Sony (a primeira foi contratar um roteirista completamente sem cacife pra essa tarefa): em um documento vazado pela Wikileaks, sabemos que a Sony teria cogitado PROCESSAR Bill Murray se ele não participasse do filme. Nem preciso dizer o nível de estupidez a que isso chega, né?

Pra quem não sabe (acho difícil), a idéia por trás de um reboot/remake é se aproveitar de uma fanbase pré-estabelecida pra garantir vendas. É um investimento que não tem como errar COMPLETAMENTE, porque o fator nostalgia é muito forte. A não ser, é claro, que você faça o favor de alienar completamente essa fanbase.

No momento em que anunciaram que o “reboot” seria protagonizado apenas por mulheres, a fanbase já deu uma contorcida. Sim, parte dela foi porque temos aquela infame porção machista em nosso seio, não dá pra negar. Mas outra parte – essa evidenciada em excelentes palavras por James Rolfe, no seu canal Angry Video Game Nerd e no site Cinemassacre.com – vem do fato que os fãs sabem reconhecer uma manobra caça-níquel quando vêem uma. Falando no James Rolfe, isso nos leva a outro ponto: não gostar deste filme virou sinônimo de ser machista. James Rolfe se recusou a fazer uma resenha do filme porque o trailer lhe deu uma péssima impressão do que seria o mesmo, e por isso escolheu simplesmente não assistí-lo. Vários sites feministas imediatamente saíram ao ataque em resposta. Em entrevistas para divulgar o filme, Melissa McCarthy basicamente disse que “quem não gosta do filme deve ser um nerd solitário de 45 anos vivendo no porão da casa da mamãe”. Claro, não tem nada a ver com o fato de que as atrizes em questão não têm absolutamente nenhuma química entre si, ou que Paul Feig não sabe escrever um bom roteiro (Katie Dippold até sabe, mas o negócio dela é sitcom, não filme). OBVIAMENTE o problema aí é a audiência machista. Não tem a ver com o fato de que a CGI usada pra mostrar os fantasmas está basicamente no mesmo nível do filme do Scooby-Doo. Não tem a ver com o fato que certas cenas são chupinhadas descaradamente do primeiro filme, numa tentativa de parecer fanservice. Ou com o fato de que a parte do elenco original que VAI aparecer no filme não tem nada a ver com seus personagens do clássico, e só estão lá pra dar aquela piscadela básica pra audiência. Não, o problema todo se resume a machismo mesmo, àquela vontade básica dos homens de não ver mulheres nos papéis que eles tanto adoraram ver na infância. Deve ser por isso que não tem uma única mulher saindo em defesa dessa posição, certo?

Bom, pelo menos uma que eu possa ver traz excelentes argumentos: o canal Comic Book Girl 19 fez um vídeo (https://www.youtube.com/watch?v=lQIuTGfPHvA) em resposta ao trailer oficial, que tem a triste distinção de ter a maior quantidade de dislikes em trailers de todo o Youtube. Sim, nem mesmo o famigerado novo filme do Quarteto Fantástico tem tanto dislike. O trailer oficial de Ghostbusters tem uma proporção de dislike de, no momento em que escrevo isto, mais de 3 pra um (955.562 dislikes contra 273.139 likes). Ou seja, arredondando um pouco, quer dizer que de 4 pessoas que opinaram sobre o trailer (que tem mais de 36 milhões de views), 3 detestaram e uma tá querendo ser do contra (insira o smiley aqui pra vocês saberem que é piada).

Lembram do comentário que fiz sobre o Bill Murray ser o responsável por não termos um terceiro filme? Pois é, foi ele que sugeriu que uma versão só com mulheres poderia dar certo, e ainda deu uma sugestão de elenco (http://screenrant.com/ghostbusters-3-all-female-cast-bill-murray/) que infelizmente só foi seguida pela metade. A idéia dele também era mais próxima de uma continuação, e não de um reboot como a Sony Pictures apresentou.

As críticas ao novo filme parecem bastante controversas até o momento, e também cheias de viés. Parece que ninguém viu o filme como sendo apenas “bom”; ou a pontuação aponta pra “excelente” e “maravilhoso” ou para “horrível” e “prefiro passar por um tratamento de canal do que ver isso de novo”.

Eu vou fazer como o James Rolfe fez, e simplesmente não assistir esse filme. Vou esperar sair em DVD pra assistir bêbado.

Fica a dica. Eu não bebo.

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