Para Onde Iremos Com Os Videogames

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Já há algum tempo que videogame não é apenas uma mídia estritamente relacionada à modernidade e, como toda mídia, sofre a ação do tempo e as mudanças que ela traz. E apurando os fatos nota-se que essas mudanças não se limitam apenas aos jogos em si e/ou  suas tecnologias, mas também no perfil de quem joga e o papel do jogador. Se alugar aquele cartucho no sábado era de lei a vinte anos, hoje é algo quase impensável, afinal é mais fácil ter um guardado naquele HD externo, de um simples brinquedo de criança à negócio de gente grande, os games nunca deixaram de ser um dos principais meios de entretenimento dos últimos trinta anos.

Levando os Arcades para casa, sem reclamar!

Como herança dos arcades, os games domésticos dos anos 80 e 90 se caracterizavam pelo desafio! / Nos fliperamas era uma glória ter seu nome no ranking ou ter aquele recorde imbatível no fliper do barzinho da sua rua ou da rodoviária. Logo, o desafio era essencial, quanto mais fichas você estivesse disposto a comprar para eternizar seu nome na máquina, mais os estabelecimentos lucravam, e mais aracades eram encomendados. Claro que considerando a situação no Brasil, nem todo o lucro ia para produtoras de jogos, basta lembrar o famigerado Street Fighter “alterado” aquele em que dava para colocar os lutadores flutuando na tela e do hadouken na tela toda (!). Boa parte das características dos fliperamas foi incorporada aos jogos domésticos daquela época, mais especificamente a dificuldade, quem nunca quase arrancou um tufo de cabelo tentando terminar a PRIMEIRA pista de Road Fighter (a Konami gostava de nos fazer sofrer naquela época!), enfrentar mais de cinqüenta vezes aquele chefe do Megaman ou ainda travar a exaustão em uma fase de Super Mario Bros e tudo isso sem ter como salvar o jogo, ou seja, jogos dessa época sabiam separar meninos de homens, e zerar os jogos era mais do que simples diversão e desafio, era também uma questão de honra. Com a chegada dos 16bits por aqui jogar videogame se tornou um dos principais meios de diversão da garotada e novos gêneros começaram a se popularizar como os RPG´s, onde o Super Nintendo dava um show, mas o que todos queriam e esperavam mesmo eram as conversões dos jogos de arcades em suas versões domesticas, o que pôs mais fogo na já incendiada briga dos consoles, principalmente Sega e Nintendo com seus respectivos Mega Drive e Super Nintendo, Street Fighter e Mortal Kombat fizeram a alegria de muitos proprietários desses consoles, apesar das versões para SNES contar com a já tradicional censura da Nintendo, e apesar da maioria dos jogos contar com o “save” (nem todos,Sonic1 e 2 ainda eram um grande exercício de perseverança) o desafio ainda estava lá. Ir à locadora e trocar fitas com os colegas eram as únicas formas de variar o cardápio de jogos, a não ser que você comprasse cartuchos sempre, o que era um luxo de poucos. O advento do CD com Sega Saturn da sega e o Playstation da iniciante no ramo Sony ampliou em muito a capacidade de memória (o que nem sempre garantiu bons jogos), mas os brasileiros devem mesmo a pirataria pela popularização destes, afinal na época o Brasil nem constava no mapa da Sony. E foi a partir do Nintendo 64 que a empresa de Shigeru Miyamoto começou a digamos, denominar bem o seu público.

 

Caras Carrancudas e mapas de GTA

É evidente que hoje essa situação se modificou em muitíssimos aspectos, uma tendência constante na indústria dos games foia busca pelo realismo e sempre houve um anseio de aproxima essa mídia ao cinema ou das transmissões esportivas (no caso dos jogos de esportes é claro!), mas hoje o que parece reinar nos games são os personagens cada vez mais realistas, carrancudos e mal encarados em cenários abertos e livres, aliás, é difícil encontrar um jogo hoje que não combine pelo menos um desses dois elementos. O advento da internet também trouxe uma nova perspectiva sobre como jogar em “multplayers”. Mas ainda existe espaço para os personagens animados e coloridos, a Nintendo que o diga! E ainda é possível ter acesso aos jogos clássicos pelas redes online dos consoles atuais ou pelos portáteis sempre dispostos a revitalizar games clássicos, afinal jogos eles sempre terão voz, a Capcom apesar do seu Resident Evil 6 tem em Megaman a sua maior franquia (que teve dois jogos cancelados em 2012).

                                                 GTA_V_3

Apesar de em certo atributo os games terem talvez alcançado o limite técnico, gráficos absurdos de realistas, sonorização impecável e a experiência realmente seja muito imersiva, a verdade é que videogame hoje se tornou muito caro o que infelizmente acabou elitizando demais a indústria, agora jogadores, que alias aram todos em potencial, virou um nicho os tais “gamers” como se formasse assim uma elite de exclusividade, jogos que consomem dezenas de milhões para serem feitos (Final Fantasy8 custou 10milhoes, mas era uma exceção para sua época) e o jogador comum, ainda mais no Brasil, não vai querer pagar R$200 em um jogo para ter a frustração de não conseguir termina-lo, logo esses jogos colocam o jogador cheio de tutoriais, setas, save points e um NPC pronto para lhe indicar o caminho mais fácil para zerar o jogo. Mas tudo isso provavelmente é só mais um estagio para a evolução de uma indústria que não para de nos surpreender, é só dar “continue” e ver oque você pode encontrar para se entreter, opção é o que não falta.

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